quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pré- Lançamento do Livro "Pelo Amor às Diferenças" de Miguel Palha

Já está disponível, no Déjà Lu, o livro do Dr. Miguel Palha - Pelo Amor às Diferenças.
Quem quiser aproveitar o pré-lançamento, pode fazê-lo através do Déjà Lu .
Os livros seguem autografados










Miguel Palha é Pediatra do Desenvolvimento e Director Clínico do Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças

21 de Março é o Dia Mundial da Trissomia


No dia 21 de Março celebra-se o Dia Mundial da Trissomia 21. Como vem sendo hábito e como acontece um pouco por todo o mundo, a APPT21 celebra sempre esta data com a realização de uma reunião.

Este ano fomos mais ambiciosos no programa. Iremos celebrar durante uma semana inteira, de 16 a 26 de Março.

Programámos um conjunto de acções de sensibilização, por todo o país, destinados a instituições de ensino superior e a outros interessados. A calendarização destas acções, bem como os locais onde se irão realizar, serão divulgadas no site da APPT21, oportunamente.

No dia 16 de Março, a Companhia Nacional de Bailado, junta-se a esta causa, levando a efeito uma sessão extra do Bailado Romeu e Julieta, no Teatro Camões, às 21 horas. O espectáculo reverte na integra para a APPT21.

Consulte o folheto de apresentação do bailado. Pode desde já efectuar a sua reserva, utilizando este formulário para o efeito.

No dia 21 de Março, as portas da Instituição estão abertas. Celebramos este dia como um DIA ABERTO, com mostras de produtos, de livros, exposições, e muita conversa e animação pelo meio.

Consulte o folheto desta iniciativa. Junte-se a nós e seja bem vindo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Einstein não seria admitido no Zoomarine

Em seguimento da burrice do Parque temático Zoomarine/Albufeira que impediu a participção de uma jovem de 14 anos com T21 numa das actividades existentes desse mesmo parque, uma excelente crónica de Francisca (mãe da Xiquinha).
O agrupamento de escuteiros a que se refere o texto são os Escuteiros Marítimos de Belém, que recusaram a entrada de uma menina com T21 por alegadas questões de segurança.


Einstein não seria admitido no Zoomarine

Gostava de começar por dizer que sou a pessoa menos sindicalista do mundo. Agradeço devotamente a todos os que lutam pelos direitos comuns (dos quais acabo por ser usufrutuária), mas simplesmente não é do meu feitio hastear bandeiras e manifestar-me em público.

No entanto, esta semana tomei conhecimento de uma situação que me deixou boquiaberta e, tendo o grito assim à boca da urna, não consigo evitar deixá-lo sair.

A APPT21 (Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21) recebeu, através da sua congénere irlandesa, uma carta onde uma mãe de uma criança de 14 anos se queixa de que a sua filha, durante as férias de família no Algarve em Agosto passado, não foi autorizada a nadar com os golfinhos porque a funcionária de serviço achou que ela se enquadrava na categoria “deficiências mentais severas (como por exemplo autismo)”.

Ora consta que a rapariga é boa nadadora e aluna do ensino regular irlandês, pelo que me resta concluir que, apenas por ter um fenótipo diferente (para os leigos “cara de mongolóide”), foi considerada menos apta e constituinte de maior risco do que uma criança de seis anos (idade mínima para participar nas “Dolphins Emotions”).

À carta desta mãe, o Zoomarine respondeu que a política de admissão nesta actividade do parque visa assegurar a segurança, e apenas a segurança, quer dos participantes, quer dos próprios golfinhos.

É a segunda vez, nos últimos meses que dou por mim a pensar “este senhor não percebeu nada e o pior é que nem percebeu que não percebeu”.

Da primeira, tratava-se da admissão de uma miúda de 8 anos num agrupamento de escuteiros católicos. Apesar de ter lá os irmãos, a admissão foi recusada alegando que não podiam garantir a segurança da criança.

Não me lembro se antes de ter uma filha com Trissomia 21 sabia o suficiente sobre o assunto para me poder ter saído pela boca fora um disparate deste género. Mas agora sei e sinto-me na obrigação de explicar porque é que estes senhores “não perceberam nada e nem perceberam que não perceberam”.

Uma criança com Trissomia 21 não está em maior risco em nenhuma actividade do que qualquer outra criança um pouco mais nova do que ela, nem representa maior perigo para ninguém.

Uma criança com T21 não tem “perturbação mental”, tem “atraso intelectual”, e isto não é um jogo semântico nem uma manipulação de termos.

Um agrupamento de escuteiros só pode dizer que não tem capacidade para garantir a segurança de uma criança de 8 anos com T21 se também não tiver hipótese de o fazer para uma criança normal de 6 anos.

O Zoomarine vetar a entrada a uma miúda de 14 anos, boa nadadora, apenas porque tem T21 é tão ridículo como seria recusar a participação de um miúdo que usa óculos porque “podia não ver bem o animal”.

Resta-me esclarecer, para quem não o saiba, que consta que Einstein era Asperger (uma perturbação do espectro do austismo). Pergunto-me se a senhora de serviço do Zoomarine teria a lata de não o deixar entrar se lhe apetecesse mandar umas braçadas com a bicharada.

Crónica de Francisca Prieto

in "Tralhas da Vida", Facebook

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Criança com Trissomia 21 discriminada no Zoomarine/Albufeira

Além de reprovável moralmente, o Zoomarine/Albufeira deixou uma péssima imagem de Portugal ao impedir a jovem irlandesa de 14 anos com T21 e uma excelente nadadora de participar numa das actividades do Zoo.

Deixo-vos o link :
http://www.appt21.org.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=128%3Acrianca-com-trissomia-21-discriminada-no-zoomarine&catid=1%3Anoticias&Itemid=189


Não deixem de ler a carta dos pais da jovem e a resposta do responsável do Zoomarine.
Mais uma vez a discriminação vem envolta no manto da segurança.
Segundo este Parque é mais seguro permitir a participação de uma criança de seis anos, do que de uma jovem de 14 com T21, sem qualquer diferença aparente que não não seja o seu fénotipo.
Perdoem-me a má vontade, mas, na minha opinião, isto é discriminação e, DISCRIMINAÇÃO É CRIME!
Julgo que o Zoomarine deve actualizar urgentemente os seus modi procedere.
Cartão Vermelho para o Zoomarine.
Abraço,
Marcelina Souschek

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Crescer com um irmão deficiente não é essencialmente negativo


Pesquisa mostra que pessoas que vivem esta realidade são mais tolerantes e menos egoístas.


AGÊNCIA NOTISA – O nascimento de uma criança deficiente é um acontecimento que modifica a estrutura de toda a família, que implica na reconfiguração para atender às necessidades e cuidados exigidos quando da convivência com uma doença. O artigo “O impacto da deficiência nos irmãos: história de vida”, publicado na Revista Ciência & Saúde Coletiva ano passado, realizou um debate com cinco adultos que têm irmãos com deficiência, a fim de analisar como este acontecimento influenciou o andamento de suas vidas.


A pesquisa, escrita por Alcione Aparecida Messa e Geraldo Antônio Fiamenghi Jr., da Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), tentou se afastar da tendência de estudos sobre deficiência, que, segundo os pesquisadores, costumam estar “mais voltados a questões de vulnerabilidade dessa relação, ou seja, voltados para as repercussões mais dolorosas”.


Na visão dos autores, a experiência de crescimento ao lado de um irmão deficiente é única para cada indivíduo, e seus impactos dependem de múltiplas variáveis, como os recursos ao alcance da família e a própria personalidade de cada um. Assim, tal realidade “compreende vivências negativas e positivas”, devendo ser considerada “segundo uma rede de influências e peculiaridades intrínsecas das relações familiares”.


Na conversa realizada com irmãos de pessoas com deficiência, ocorrida numa associação que “busca incluir jovens e adultos com deficiência mental na sociedade, envolvendo famílias e profissionais”, as discussões foram estimuladas a partir da pergunta: “como é a vivência com um irmão com deficiência?”. A partir das respostas, os autores puderam descriminar como, de fato, sentimentos positivos e negativos se intercalavam e eram modificados à medida que os irmãos cresciam.


Segundo o artigo, pessoas com irmãos deficientes desenvolvem mais rapidamente o senso de responsabilidade, uma vez que se sentem “responsabilizados pelos cuidados desses irmãos e devessem educá-los, ensinar valores e protegê-los”. Essa relação, que se aproxima mais de uma “paternalidade” do que propriamente “fraternidade”, se reflete em características positivas: irmãos de deficientes “desenvolvem o sentimento de tolerância e preocupações humanitárias, podendo desenvolver atitudes altruístas, preocupando-se mais com o bem-estar de outras pessoas”, afirmam os pesquisadores.


Ao mesmo tempo, esses benefícios convivem com sentimentos negativos como a vergonha em algum momento da deficiência do irmão, culpa pelo desenvolvimento da doença, ciúmes da maior atenção dada à criança doente pelos pais e confusão perante a doença do irmão. Esta última característica pode ser exacerbada pela ação dos pais, que, muitas vezes, “privam os irmãos de informações, pois presumem que seus filhos não serão capazes de compreender o que se passa e as peculiaridades da deficiência”.


Os pesquisadores ressaltam ainda que irmãos com famílias maiores relatam ter maior facilidade para lidar com a deficiência, uma vez que obrigações e responsabilidades são divididas e há uma maior rede de apoio. Além disso, experiências como a discussão promovida pela pesquisa foram avaliadas como valorosas, pois, segundo os autores, “propicia o aumento de informações, maior entendimento da condição de deficiência, conhecer e dividir experiências com outros irmãos que vivenciam a mesma condição e sentir que possuem atenção focada a eles”.


FONTE - AGÊNCIA NOTISA

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

1º Encontro de Familias de Portadores de T21 na Maia

O Amor não conta cromossomas

Realiza-se no dia 26 de Março de 2011, a partir das 12:30, o Encontro de Familias de Portadores de Trissomia 21, no Celeiro dos Cónegos, na Maia.

Haverá um almoço seguido de convívio. Os mais pequenos terão algumas actividades organizadas pelo Centro de Desenvolvimento Infantil do Porto.

O valor da inscrição é de 15 Euros (por família). As bebidas não estão incluídas, ficando cada familia com a responsabilidade de levar (sugere-se que as bebidas sejam de litro ou litro e meio.

No dia 27 de Março, todos os participantes têm condições exclusivas para visitar a Quinta de Santo Inácio (Zoo) pelo valor de 5€/por pessoa e oferta para crianças com T21. Podem fazer uma visita virtual ao zoo através do site www.zoosantoinacio.com.

Consultem e divulguem o flyer deste encontro, o mapa de localização.

A participação neste encontro é limitada, pelo que solicitamos que procedam à inscrição com a maior brevidade. As inscrições podem ser formalizadas por email, enviando a ficha de inscrição ou por fax para o 22 948 07 75.

Para mais informações contactem a mãe Ana Sottomayor através do email miranda.sottomayor@sapo.pt

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A prenda de Natal...




Porque estamos em época de Natal,
porque achamos que o Natal já não é o que era,
porque achamos que o Natal perdeu a magia,
deixo-vos um texto do pai do Afonso e porque, o Natal é aquilo que dele fazemos.

"A prenda de Natal mais querida, foste tu meu filho; és mais uma estrela brilhante na arvore do meu coração, ao lado dos manos. Nos teus olhos, consigo ver um mar imenso, um céu azul, e um campo de milho tão verde, ainda por maturar; e somos nós que iremos lá colher os risos, as lágrimas, os sucessos e os desaires. E vai ser tão bom ter-te connosco a ajudar-nos a perceber que a vida não é a preto e branco, nem só lucros e percas! Existem outros mistérios, outras lições! Sabes meu filho, abençoo as lágrimas que verti quando soube que eras um bébé diferente, pois através delas, tornei-me uma pessoa melhor, libertei-me dos azedumes e das ninharias que desgastam o pouco tempo que temos. Quando te tenho no colo, desce sobre mim um calor tão bom, uma felicidade tão intensa, que me sinto num limbo de amor, como se fosse o pai de todos os meninos do
Mundo

Pai"

Texto de Carlos Serrenho, pai do Afonso


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Estímulos na infância levam jovem com síndrome de down a fazer pós

in globo.com

Estímulos físicos, motores e neurológicos feitos pelos pais durante a infância da portadora de síndrome de down Ana Carolina Fruit, de Joinville, em Santa Catarina, foram decisivos para determinar o futuro da garota. Hoje, aos 29 anos, a jovem tem pós-graduação, que completou no ano passado, trabalha em uma multinacional e conquistou a independência financeira.

Apaixonada por crianças, a jovem se formou em pedagogia e depois se especializou em educação infantil. Desinteressou-se pelo trabalho na área após alguns estágios. “Tem que ter paciência, lidar com os pais, que parece o mais difícil”, afirmou. Na empresa em que trabalha, Ana Carolina já passou por várias áreas e agora está no setor comercial.

Quem conversa com ela por telefone percebe uma ótima dicção e articulação perfeita entre palavras e ideias. A evolução intelectual foi fruto de intensos exercícios feitos pelos pais com a garota dos 6 aos 9 anos sob orientação médica.

“Era uma programação bem intensa. Rastejava, engatinhava, corria. Tinha estímulo dos cinco sentidos. Dou graças a Deus”, afirmou Ana Carolina, que fazia ainda jazz e natação como atividades extracurriculares.

A rotina, que incluía exercícios motores e lúdicos, era toda voltada ao desenvolvimento da filha, segundo a mãe da jovem, Gina Fruit, de 52 anos, que abandonou o trabalho como professora de educação física para cuidar da filha. “Era cansativo e desgastante. Às vezes, ela sofria, chorava, mas depois vimos o resultado”, disse Gina.

O programa seguido por Ana Carolina foi criado nos Estados Unidos na década de 1950 pelo fisioterapeuta Glenn Doman e é desenvolvido no Brasil pelo Instituto Véras, no Rio de Janeiro. De acordo com a diretora do instituto, Conceição Véras, que é professora especializada em reabilitação, os estímulos motores e sensoriais, como contrastes luminosos, sons, contraste entre calor e frio, buscam a organização cerebral. "Entendemos a síndrome como causadora de uma desordem das funções cerebrais", disse Conceição.

Os exercícios têm alta frequência, intensidade e baixa duração. São feitos durante um a dois minutos dez a doze vezes por dia. "O propósito é ajudar a criança a ter um desenvolvimento normal, como o de qualquer criança. O programa faz com que tenha necessidade de se moviemntar", disse Conceição. O tipo de exercício a ser feito e a forma e a duração depende de cada caso. "A evolução depende da criança, do ambiente e da família", disse. O instituto cobra para desenvolver o programa com a família.

Questionada, Ana Carolina diz que as épocas da escola, que fez inteira em turmas comuns, da faculdade e da pós foram tranquilas. “Nunca percebi preconceito. Tinha um relacionamento legal com meus colegas e professores”, afirmou.

Atualmente, a jovem é independente e mora com os pais porque quer. “Ela ganha mais do que muito pai de família. Está feliz e realizada”, disse Gina.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiência - Parte 4

in Blog Dficiente Ciente

MITO 3. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA SÃO POUCO ATRAENTES, INDESEJÁVEIS E INCAPAZES DE CONQUISTAR UM PARCEIRO AMOROSO E MANTER UM VÍNCULO ESTÁVEL DE RELACIONAMENTO AMOROSO E SEXUAL

As mensagens ideológicas relacionadas ao sexo divulgam-no como um direito exclusivo das pessoas jovens e bonitas. Os padrões definidores de normalidade sexual impõem um sexo que envolve protagonistas de corpo perfeito,magro, esbelto, que tenham boa saúde, etc, mas esses padrões existem para todos nós e prejudicam a todos. A possibilidade encontrar um parceiro sexual e amoroso parece depender de se corresponder a modelos de estética e de desempenho, mas isso não impede que pessoas com deficiência possam se relacionar amorosamente de modo satisfatório e gratificante (Werebe, 1984; Moura, 1992; Amaral, 1995;Salimene, 1995; Pinel, 1999; Anderson, 2000; Baer, 2003; Shakespeare,2003; Maia, 2006, Schwier; Hingsburger, 2007).

Para muitas pessoas a deficiência se sobrepõe à questão sexual, como se o corpo deficiente aparecesse antes do corpo sexual e inviabilizasse a satisfação da sexualidade própria.
Em algumas situações a pessoa com deficiência precisa de suportes, como usar aparelhos e ou realizar procedimentos de esvaziamento de bexiga e esfíncter, para viver com certa independência no cotidiano ou mesmo para vivenciar um momento de intimidade e contato físico e sexual.
Para Kaufman, Silverberg e Odette (2003) e Puhlmann (2000), o fato de você ter uma parte do corpo não funcional, de você precisar de algum tipo de auxílio e ajuda em funçãode sua deficiência antes de dar e receber prazer pode torná-lo degradante e pouco erótico aos demais, mas não impede os vínculos amorosos e sexuais.

Dificuldades de relacionamento amoroso existem para deficientes e não deficientes. A deficiência pode representar um estigma que prejudica a imagem para o (a) outro (a), mas não impede a pessoa de encontrar alguém para amar e ser amado. Dificuldades da vida marital existem para deficientes e não deficientes.Não há provas de que deficientes separam e rompem relacionamentos com mais frequencia do que não-deficientes (Vash, 1988; Moura, 1992; Baer, 2003;Kaufman, Silverberg; Odette, 2003; Maia, 2006). Essa crença baseia-se num preconceito de que pessoas com deficiências não poderiam ser desejáveis aos demais e que se relacionar amorosamente com um deficiente seria algo deplorável e digno de piedade.

Se toda a sociedade alimenta um estigma de que alguém com deficiência é merecedor de piedade, a própria pessoa com deficiência é tentada a incorporar esse preconceito em si mesmo, o que aumenta seus sentimentos de desvalia (Werebe, 1984; Pinel, 1999; Puhlmann, 2000; Baer, 2003; Kaufman,Silverberg; Odette, 2003; Maia, 2006; Silva, 2006; Schwier; Hingsburger, 2007). Diante desses sentimentos de inadequação esquece-se que a pessoa é, antes de tudo, um ser humano e que a deficiência é incorporada a identidade pessoal. Não se ama a deficiência, mas o sujeito com a deficiência. Os padrões sociais de normalidade referem-se a ser saudável (e perfeito); muitas pessoas incorporam o medo da deficiência porque acham que uma vida com deficiência não vale a pena ser vivida.

São comuns os sentimentos de pena a todos aqueles que não gozam de boa saúde ou que não correspondem a uma condição normativa incentivando osolhares discriminativos sobre aqueles que têm uma diferença (MOURA, 1992;BLACKBURN, 2002; KAUFMAN, SILVERBERG. ODETTE, 2003). Se há uma crença social que atribui às pessoas com deficiências infelicidade, incapacidade, desvalia,as opções de expressão da sexualidade e da vida sexual ficam prejudicadas e muitas pessoas com deficiência acabam não se envolvendo em relações sexuais e amorosas ou não conseguindo que essas relações sejam satisfatórias. Além disso, Maia (2009a) lembra que, embora haja um pressuposto social do que se é desejável amar e de quais seriam os estereótipos físicos que contam significativamente nos processos de conquista, não se pode delimitar a possibilidade de enamoramento a tais padrões rígidos. Muitas vezes, o amor se estabelece no cotidiano das relações interpessoais a partir de motivações diversas e, assim, são as características psicológicas individuais do sujeito que consolidam uma relação de cumplicidade amorosa enão as características exteriores, como, por exemplo, a cor da pele, o tipo de cabelo,a massa corporal ou também o corpo perfeito.

Os membros familiares também são atingidos pelos preconceitos sociais que tangem as pessoas com deficiências e se tornam importantes mediadores para ajudar o membro com deficiência a enfrentar os desafios e dificuldades (Sorrentino, 1990; Schor, 2005; Sade; Chacon, 2008; Maia, 2009b). Nesse sentido, as próprias famílias das pessoas com deficiência costumam questionar se é possível alguém não-deficiente se apaixonar e viver uma relação amorosa e sexual com o deficiente e espera – quando compreende seu(ua) filho(a) como sexuado,que ele(a) encontre um par amoroso igualmente deficiente como se ela também denegrisse a representação de uma vida saudável. Por outro lado, a família pode desejar que seus(as) filhos(as) com deficiência namorem e se casem com não-deficientes visando aproximá-los de uma condição normal. Em todos os casos, o preconceito fica evidente: toda a estrutura familiar é estigmatizada pela deficiência (Omote, 1999), tal como se refere Goffman (1982) ao estigma de cortesia.

Autores como Werebe (1984), Vash (1988), Sorrentino, 1990; Moura(1992), Amaral (1995), Blackburn (2002), Maia (2006; 2009b) e Schwier e Hingsburger(2007) compartilham do argumento de que a família também tem representações sobre a sexualidade do deficiente e tanto pode facilitar os relacionamentos interpessoais incentivando a independência e a socialização do membro familiar deficiente, como também pode prejudicá-lo, superprotegendo-o, isolando-o e,portanto, negando e ele possibilidades de viver vínculos afetivos diversos, o que alimenta ainda mais os preconceitos sociais já existentes.

MITO 4. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NÃO CONSEGUEM USUFRUIR O SEXO NORMAL QUE É ESPONTÂNEO E ENVOLVE A PENETRAÇÃO SEGUIDA DE ORGASMO, POR ISSO, SÃO PESSOAS QUE TÊM SEMPRE DISFUNÇÕES SEXUAIS RELACIONADAS AO DESEJO, À EXCITAÇÃO E AO ORGASMO

A deficiência pode até comprometer alguma fase da resposta sexual,mas isso não impede a pessoa de ter sexualidade e de vivê-la prazerosamente(Salimene, 1995; Pinel, 1999; Puhlmann, 2000; Baer, 2003; Kaufman;Silverberg; Odette, 2003; Maia, 2006). Além disso, na cultura ocidental, que herda as regras repressivas da religião judaico-cristã, culpando o sexo que visa apenas o prazer e não a reprodução e condenando atos como a masturbação, as relações homossexuais, o orgasmo e o desejo acentuado de mulheres, etc, as disfunções sexuais acabam sendo comuns justamente por conta da intensa repressão sexual que, de diversas formas, ainda hoje persiste (Werebe, 1984; Salimene,1995; Pinel, 1999).

As disfunções femininas, como a falta de lubrificação vaginal e as masculinas, como a disfunção erétil e, em ambos os sexos, a anorgasmia e inibiçãodo desejo, em geral, podem representar sentimentos de culpa relacionados ao sexo-prazer, uma história repressiva e moralista em relação à sexualidade, à afetividade e à vida sexual que dificultam o aprendizado de sensações satisfatórias em relação ao corpo, independentemente de se tratar ou não de uma pessoa com deficiência.

Na mesma direção também há uma crença no sexo ideal. Para Kaufman,Silverberg e Odette (2003), a regra idealizada de um sexo funcional e normal pode ser compreendida a partir da observação de diversos filmes: mulheres e homens sempre disponíveis para o sexo, beijos e penetração de todos os tipos, diferentes posições e um orgasmo simultâneo. Shakespeare (2003) argumenta que a crença na sexualidade normal tem como foco a genitalidade e as funções sexuais. Além de nenhuma dificuldade aparecer na relação sexual normativa e idealizada, também se prioriza a penetração e o orgasmo. Baer (2003) comenta que na expressão do sexo normal e prazeroso há a necessidade de penetração vaginal e orgasmos. A prática sexual que não é completa com esses atributos é considerada menor, como o sexo oral ou a masturbação, por exemplo, mas, segundo os autores, estudos mostram que pessoas de todo tipo se masturbam e se satisfazem com essa prática sexual.

Muitas pessoas cultivam mensagens negativas sobre o sexo sem penetração ou falta de orgasmo. Isso tanto alimenta o sentimento de compaixão como o sentimento de inadequação daqueles que por necessidade ou desejo, não podem ou escolhem não ter relações sexuais ou daqueles que precisam satisfazer-se por meio da masturbação pela dificuldade em viabilizar relações sexuais ou pela dificuldade de se relacionar sexualmente com penetração, a partir da idéia de que vive um sexo incompleto e/ou infeliz.

Outro conceito normativo comum é a idéia de que sexo é uma atividade espontânea, algo que vem naturalmente como o amor verdadeiro. Isso também afeta a todos que buscam a satisfação sexual a partir modelos idealizados e midiáticos, por exemplo, e temos dificuldades em reconhecer no cotidiano que o sexo é inclui um aprendizado (Puhlmann, 2000; Shakespeare, 2003). No caso de pessoascom deficiência que, muitas vezes, para as relações sexuais, precisam realizar oplanejamento e as adequações do ambiente e isso se torna um problema ainda maior porque nessas condições o sexo não será nunca espontâneo; isso, no entanto, não inviabiliza a possibilidade de sentimentos de prazer e satisfação sexual.

Sexualidade, portanto, é social e cultural. Aprende-se, em diferentes culturas, o sentido do prazer, do desejo, do erotismo humano e damos significados diferentes para o que se define como amor, fidelidade, casamento, paquera, etc.

Em todas essas situações do erotismo humano, reproduzem as concepções sociais internalizadas. Costa (1998), por exemplo, lembra que o amor romântico é uma invenção cultural que nada tem de natural e universal, nem é um sentimento incontrolável e nem mesmo pode ser relacionado à garantia de felicidade eterna.A partir da cultura e da educação há uma construção sobre a escolha de nossos objetos amorosos e não é verdadeiro o fato de que todos são alvos desejáveis, embora não percebamos isso conscientemente. Nesse sentido, o amor, assim como o sexo eo desejo são influenciados pelas concepções sociais de normalidade que destroem qualquer possibilidade de se desejar espontaneamente. Diz o autor:

Sentimo-nos atraídos sexual e afetivamente por certas pessoas, mas raras vezes essa atração contraria os gostos ou preconceitos de classe, “raça”, religião ou posição econômico-social que limitam o rol dos que “merecem ser amados”(...). O amor é seletivo como qualquer outra emoção presente em códigos de interação e vinculação interpessoais (COSTA, 1998, pág. 17).A própria sociedade dificulta a possibilidade de pessoas com deficiênciade exercerem a sexualidade porque não disponibiliza igualmente para todas as oportunidades de privacidade que se torna uma barreira para muitas pessoas com deficiência para exercer uma sexualidade positiva, o que é ainda mais evidente em instituições onde o controle e a vigilância não permitem a privacidade e o fato dela não existir se soma à concepção de que o sexo vai ser inexistente, perigoso oudificultoso para essas pessoas (WEREBE, 1984; PINEL, 1999; MAIA, 2006;SCHWIER; HINGSBURGER, 2007). A maioria das instituições nega aos seus alunos,clientes e residentes o direito de serem sexuais. Em internatos, as mensagens são claras: a expressão da sexualidade não é algo aceitável. Não se tranca a porta, não há nenhum momento de privacidade e os cuidadores tratam do sujeito como objeto. É comum tratá-los na 3ª pessoa, mesmo na presença deles, e controlar o que fazem (KAUFMAN, SILVERBERG; ODETTE, 2003). O diálogo é pouco e não se conhece, nem se procura ouvir, suas necessidades, desejos relacionados à vida como um todo e, principalmente, à sexualidade.

Segundo Kaufman, Silverberg e Odette (2003) há também no imaginário social uma idéia de que as coisas ruins só aconteceriam para pessoas ruins, como contrair uma doença grave, sofrer um acidente ou ter um sério problema, porque elas mereceriam Ocorre que acreditar nesse destino culposo é pouco produtivo para se lutar contra as adversidades da vida. No caso da vida sexual, se essa exige sofrimento e desgaste, acaba sendo justificada como um castigo merecido o que leva a sentimentos depressivos e comportamentos passivos, também em relação à expressão da sexualidade. Afastar a possibilidade de um sexo prazeroso acaba sendo uma crença incorporada pelo próprio sujeito com deficiência que acredita que ele não pode gozar de uma vida sexual e afetiva como os demais, porque não a merece.
*Doutora em Educação. Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências. Unesp, Bauru.bortolozzimaia@uol.com.br; aclaudia@fc.unesp.br

** Livre-Docente em Sexologia e Educação Sexual. Departamento de Psicologia da Educação. Faculdade de Ciências e Letras. Unesp, campus de Araraquara. Rodovia Araraquara - Jaú Km. 01. Araraquara (SP).paulorennes@fclar.unesp


Fonte: Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.2, p.159-176, Mai.-Ago., 2010

Leia o artigo na íntegra
http://74.125.155.132/scholar?q=cache:GSYqf6R2zOEJ:scholar.google.com/+a+pessoa+com+deficiencia+e+o+erotismo&hl=pt-BR&as_sdt=2000


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiência - Parte 3


in Blog Deficiente Ciente

MITO 1. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA SÃO ASSEXUADAS: NÃO TÊM SENTIMENTOS, PENSAMENTOS E NECESSIDADES SEXUAIS


Há uma idéia geral de que pessoas com deficiências são assexuadas e isso está diretamente relacionado com a crença de que essas pessoas são dependentes e infantis e, portanto, não seriam capazes de usufruir uma vida sexual adulta (França-Ribeiro, 2001; Denari, 2002; Kaufman; Silv erberg;Odette, 2003; Shakespeare, 2003; Giami, 2004; Maia, 2006).O olhar para o deficiente como alguém infantil é muito comum, porque em geral, relacionam-se à dependência aspectos como a imaturidade emocional e a infantilidade (Schor, 2005; Schwier; Hingsburger, 2007). Para Kaufman, Silverberg e Odette (2003) pode-se ter a idade avançada, aspectos cognitivos íntegros, sentimentos de desejo sexual, mas se for preciso ajuda para se alimentar ou se limpar, essa pessoa é considerado pelos outros como uma criança.

Na verdade, até mesmo na infância, a sexualidade não pode ser negada ou omitida no sentido libidinal porque ela existe desde o nascimento e, portanto, mesmo que se considerasse o deficiente como alguém infantil, ainda assim, ele seria uma pessoa dotada da sexualidade (Gherpelli, 1995; Glat; Freitas, 1996;Paula; Regen; Lopes, 2005; Maia, 2006). Além disso, geralmente, as funções e desejos eróticos estarão potencialmente preservados e não deveriam ser negados quando há algum tipo de limitação ou deficiência. Em nenhuma situação há alguém que não seja sexuado, a dessexualização do indivíduo é social e não fisiológica.

Ao considerar a pessoa com deficiência como alguém não dotado de sexualidade, negligenciam-se os cuidados contra situações de abuso e se omitem a essas pessoas o direito de acesso a orientação/educação sexual. Isso é um grave equivoco que tem elevado os índices de violência, de gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis (Russell; Hardin, 1980; Evans; McKinlay, 1989;Glat; Freitas, 1996; Tang; Lee, 1999; Paula; Regen; Lopes, 2005; Maia,2006). Para Kaufman, Silverberg e Odette (2003), as pessoas com deficiências são mais facilmente vitimas de violência sexual do que aqueles que não vivem com deficiências. O poder abusivo de cuidadores, a falta de punição para os agressores e o silêncio nas instituições, são situações que podem agravar e aumentar a ocorrência de estupro ou de outras formas de violência nas instituições.Não se estimulam os programas de orientação/educação sexual porque se entende que nem seria preciso falar sobre sexo àqueles que são assexuados. Por outro lado, há também uma crença de que se falar sobre sexo pode estimular a prática sexual, aumentariam as chances de ocorrerem relações sexuais e ou gravidezes e isso é temeroso para muitas famílias, cuidadores, etc., principalmente quando há uma deficiência cognitiva associada. Porém, a ignorância sexual acaba sendo um grande obstáculo para que as pessoas com deficiência possam evitar a violência e, portanto, programas de orientação/educação sexual poderiam ajudar essas pessoas a usufruir a sexualidade plena e saudável com responsabilidade (Russell; Hardin, 1980; Evans; McKinlay, 1989; França-Ribeiro, 2001;Amor Pan, 2003; Kaufman, Silverberg; Odette, 2003; Maia, 2006;Schwier; Hingsburger, 2007).

MITO 2. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA SÃO HIPERSSEXUADAS: SEUS DESEJOS SÃO INCONTROLÁVEIS E EXACERBADOS. A EXPRESSÃO SEXUAL EXPLÍCITA PARA QUEM TEM DEFICIÊNCIA É UMA PERVERSÃO

O interesse por sexo é variável entre pessoas com deficiências e entre não-deficientes. No caso dos deficientes o fato das pessoas acreditarem que sua sexualidade é exagerada tem mais a ver com a expressão pública de comportamentos sexuais do que com a freqüência com que eles ocorrem, principalmente entre aqueles com deficiência intelectual. Não há relação entre sexualidade exagerada e as questões orgânicas da deficiência (AMARAL, 1995;FRANCA-RIBEIRO, 2001; DENARI, 2002; AMOR PAN, 2003; KAUFMAN;SILVERBERG; ODETTE, 2003; GIAMI, 2004; MAIA, 2006).

Diante do fato de que recebem poucas informações sobre sexualidade e têm poucas oportunidades de socialização, a expressão considerada inadequadados desejos sexuais nas pessoas com deficiência, refere-se à manifestação da sexualidade de um modo grosseiro que não correspondente às regras sociais e isso prejudica a imagem que as pessoas têm do deficiente que os colocam como dotados de uma sexualidade atípica. Desse modo o desejo, que é normal em todo ser humano, aparece como diferenciado e exagerado pela sua exteriorização inadequada (ASSUMPÇÃO JUNIOR; SPROVIERI, 1993; MAIA, 2006; SCHWIER;HINGSBURGER, 2007;).

Além disso, se o sexo funcional e normal está relacionado ao fato deter um corpo perfeito e for capaz de reproduzir, qualquer outra expressão sexual que não seja sob esses padrões pode tornar a sexualidade desviante, patológica ou desnecessária. O sexo parece que só se torna uma necessidade quando envolve um casal (heterossexual), vinculado ao amor romântico e à procriação (Kaufman;Silverberg; Odette, 2003; Shakespeare, 2003). Se há uma deficiência que impõe dificuldades, porque haveria a necessidade de se buscar e desejar o sexo?Não haveria outras coisas mais importantes para uma pessoa com deficiência fazer ou pensar? Esses questionamentos refletem uma visão preconceituosa e limitadado do ser humano com deficiência, como se ele fosse desprovido do direito de usufruir uma vida plena em todos os sentidos.

Do mesmo modo, aqueles que têm deficiência e insistem em expressar seus desejos sexuais são tomados como pervertidos ou atípicos. Para Kaufman, Silverberg e Odette (2003) a crença de que essas pessoas não têm sexualidade é tanta que mesmo entre aqueles que consideram existente a sexualidade não incluem as pessoas com deficiência no rol dos que têm vida sexual ativa. Como uma conseqüência disso não se imagina que as pessoas com deficiência são vulneráveis ao contágio de doenças sexualmente transmissíveis ou ao envolvimento em crimes sexuais. Assim, é incomum se imaginar alguém numa cadeia de rodas ou com outras deficiências numa relação sado-masoquista, exercendo relações de poder e violência, abusando de menores, se prostituindo, se travestindo etc.

Ainda nessa reflexão, pode-se dizer que entre os profissionais,professores, familiares e até mesmo na literatura científica não há alusão adeficientes que possam expressar livremente uma condição homossexual. A esse respeito, inclusive, é importante destacar que a heteronormatividade (COSTA, 1998) ocorre também em relação às pessoas com deficiência (KAUFMAN; SILVERBERG;ODETTE, 2003; SHAKESPEARE, 2003; MAIA, 2009a). Não se imagina uma pessoa com deficiência sendo gay ou lésbica como parte de sua identidade pessoal. Quando se considera uma orientação afetiva e sexual homossexual para essas pessoas, em geral há uma referência às brincadeiras e jogos sexuais que são comportamentoscomuns entre crianças e jovens, principalmente em instituições, mas isso se refere às manifestações típicas do desenvolvimento e não uma condição homoerótica de fato que pode ou não se manifestar como um desejo libidinal. No entanto, assim como na população em geral, há pessoas com deficiências que se reconhecessem homossexuais e isso precisa ser levado em conta por aqueles que pretendem respeitar a diversidade humana.

Outras questões sobre a variedade do desejo humano são igualmente possibilidades para essas pessoas. Kaufman, Silverberg e Odette (2003) comentam que até mesmo as parafilias, por exemplo, podem existir entre pessoas com deficiências. Ao mesmo tempo em que essas perversões não são imaginadas ao deficiente, ele mesmo pode ser visto como perverso e atípico, apenas por expressar seu desejo sexual. Para aqueles que são considerados fora das possibilidades de sexualidade normal a expressão do desejo e o interesse por sexo pode ser considerado perversão. É o que vemos também entre os idosos, por exemplo, igualmente estigmatizados pela limitação do corpo e dessexualizados pela sociedade.

*Doutora em Educação. Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências. Unesp, Bauru.bortolozzimaia@uol.com.br; aclaudia@fc.unesp.br

** Livre-Docente em Sexologia e Educação Sexual. Departamento de Psicologia da Educação. Faculdade de Ciências e Letras. Unesp, campus de Araraquara. Rodovia Araraquara - Jaú Km. 01. Araraquara (SP).paulorennes@fclar.unesp

Fonte: Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.2, p.159-176, Mai.-Ago., 2010

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Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiência - Parte 2

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MITOS E CRENÇAS EQUIVOCADAS SOBRE A SEXUALIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


Os mitos sobre a sexualidade e deficiência referem-se às idéias, discursos,crenças, inverdades, que são ideológicas e que existem para manter e reproduzir as relações de dominação de uns sobre os outros.


Não se trata aqui de mitos antropológicos citados como uma linguagem utilizada por diferentes culturas para explicar os fenômenos da natureza e do mundo (Highwater, 1992; Nunes, Filho,1994; Furlani, 2003) e sim de mitos como uma expressão que identifica o conjunto de idéias preconceituosas e limitadas; em geral, crenças reproduzidas sem fundamento, apenas baseadas em preceitos ou pré-conceitos e atribuídas a um grupo específico em determinada condição. Neste caso específico, tratam-se daquelas idéias que são generalizadas ao fenômeno da sexualidade e da deficiência e que traduzem um modo estereotipado de compreender a questão. Furlani (2003, p.18) comenta que há idéias de cunho político e ideológico que podem estar impregnadas nos diversos mitos, conferindo-lhes “potencialidade em reforçar posturas discriminatórias e sentimentos preconceituosos, frente ao seu objeto”.
Para Silva (2006, p.425), a propensão a generalizar utilizando estereótipos sobre as possíveis problematizações, no caso da sexualidade de deficientes, é uma simplificação que “responde à demanda imediata do pensamento, valendo-se de conteúdos e juízos de valor incorporados,conforme a condição e posição hierárquica social".

Conhecer e esclarecer os mitos e idéias errôneas sobre sexualidade depessoas com deficiências é uma tarefa importante porque essas crenças podem afetar a todos, quando por meio delas se incentivam as relações de discriminação e de dominação que podem ocorrer entre não-deficientes sobre os deficientes, entre homens com deficiência sobre as mulheres com deficiência, entre pessoas com deficiências menos comprometedoras sobre as que têm maior comprometimento, etc. Anderson (2000), Baer (2003) e Kaufman, Silverberg e Odette (2003) argumentam que se essas crenças são assimiladas por pessoas deficientes isso poderá aumentar seus sentimentos negativos de desvalia e inibir a expressão de uma sexualidade favorável. Se elas são assimiladas por pessoas não-deficientes isso pode justificaro modo limitado como se julgam os deficientes: uma visão da vida sexual e afetiva assexuada, frágil e desinteressante.

A reprodução dos mitos tem a ver com o medo que as pessoas têm diante do estigma da deficiência (Goffman, 1982) a partir de um corpo marcado pela deficiência e fragmentado pela imperfeição que se desvia tanto dos padrões de normalidade vigentes e que colocam as pessoas na sua condição de vulnerabilidade e diante da inevitável fragilidade humana. Muitas pessoas não deficientes acreditam que nunca serão deficientes e os deficientes são, portanto,vistos como essencialmente diferentes deles. Ao distanciar de si mesmos tudo que se relacione com deficiência explicita-se uma atitude de negação, um mecanismo subjetivo em relação ao outro porque aquele corpo remete ao medo de que o corpo normal, que é frágil e vulnerável, se identifique com o corpo deficiente, e porque essa é uma condição possível para todos (Crochik, 1997; Kaufman,Silverberg; Odette, 2003; Silva, 2006).

Segundo Silva (2006, p.425), o preconceito materializa um mecanismode defesa diante do encontro entre as pessoas quando um é a ameaça ao outro porser algo novo, diferente e temeroso e, segundo a autora, em decorrência disso,temos a propensão a generalizar utilizando estereótipos sobre as possíveis problematizações que “são simplificações que respondem à demanda imediata do pensamento, valendo-se de conteúdos e juízos de valor incorporados, conforme a condição e posição hierárquica social”. Para Crochik (1997), o indivíduo preconceituoso fecha-se em suas opiniões, o que o impede de conhecer efetivamente aquilo que ele teme. Por isso ele afasta o outro de si para preservar sua estabilidade psíquica porque ao se colocar diante do que teme como alguém possível de identificação, os sentimentos de humilhação e fragilidade vêm à tona e, parece mais fácil, manter atitudes de discriminação e exclusão do outro não-normal ao invés de reconhecer esse mecanismo emocional que nos reconhece como semelhantes e humanos. Silva (2006, p.426) comenta que:


O preconceito às pessoas com deficiência configura-se como um mecanismode negação social, uma vez que suas diferenças são ressaltadas como umafalta, carência ou impossibilidade. (...) A estrutura funcional da sociedadedemanda pessoas fortes, que tenham um corpo ‘saudável’, que sejam eficientespara competir no mercado de trabalho. O corpo fora de ordem, a sensibilidade dos fracos, é um obstáculo à produção. Os considerados fortes sentem-seameaçados pela lembrança da fragilidade, factível, conquanto se é humano.

Em geral, esses mitos descrevem idéias que são tomadas como gerais a todo deficiente, por exemplo, tornar uma limitação específica em totalidade, isto é,compreender toda a pessoa como deficiente e não apenas algo específico ou relacionado a ela, dispor de explicações lineares e causais, como se tudo o que ela fizesse ou fosse tivesse a ver com as deficiências e também pelo temor ao contágio,como se ao conviver com alguém com deficiência pudesse haver uma contaminação desse infortúnio (Amaral, 1995; Silva, 2006). Vários autores e pesquisadorestêm comentado sobre diferentes mitos e crenças a respeito da sexualidade, quandos e tratam de pessoas com deficiências (Amaral, 1995; Gherpelli, 1995;Salimene, 1995; Glat; Freitas, 1996; Pinel, 1999; Anderson, 2000;França-Ribeiro, 2001; Denari, 2002; Amor Pan, 2003; Baer, 2003;Kaufman; Silverberg; Odette, 2003; Giami, 2004; Maia, 2006;Couwenhoven, 2007).

Podemos perceber que os mitos abrangem os modelos normativos relativos à sexualidade (vida social, afetiva e amorosa que envolve os relacionamentos, a auto-imagem, questões de estética e atratividade, sedução,questões de gênero) e às práticas sexuais (desempenho sexual funcional e o sexo considerado saudável). Em todos os casos, baseiam-se em modelos normativos que são ideológicos e construídos socialmente e prometem uma felicidade idealizadae exagerada a todos nós, mas que atinge, diretamente, àqueles que vivem com uma deficiência visível e por ela são estigmatizados.

Enfim, as crenças sobre a sexualidade das pessoas com deficiências em geral, referem-se a um modo generalizado de ver o outro estigmatizado pela deficiência (VASH, 1988; AMARAL, 1995; MAIA, 2006; SILVA, 2006). A seguir,comentaremos sobre eles tentando refletir sobre as razões porque defendemos que tratam de concepções preconceituosas e limitantes para a expressão plena da sexualidade humana.

*Doutora em Educação. Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências. Unesp, Bauru.bortolozzimaia@uol.com.br; aclaudia@fc.unesp.br

** Livre-Docente em Sexologia e Educação Sexual. Departamento de Psicologia da Educação. Faculdade de Ciências e Letras. Unesp, campus de Araraquara. Rodovia Araraquara - Jaú Km. 01. Araraquara (SP).paulorennes@fclar.unesp

Fonte: Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.2, p.159-176, Mai.-Ago., 2010

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Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiência - Parte 1

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RESUMO
Este texto aborda a presença de idéias preconceituosas sobre a sexualidade de pessoas com deficiência discorrendo, de modo critico e reflexivo, sobre diversos mitos, tais como:
(1) pessoas com deficiência são assexuadas: não têm sentimentos, pensamentos e necessidades sexuais;
(2) pessoas com deficiência são hiperssexuadas: seus desejos são incontroláveis e exacerbados; (3) pessoas com deficiência são pouco atraentes,indesejáveis e incapazes para manter um relacionamento amoroso e sexual;
(4) pessoas com deficiência não conseguem usufruir o sexo normal e têm disfunções sexuais relacionadas ao desejo, à excitação e ao orgasmo;
(5) a reprodução para pessoas com deficiência é sempre problemática porque são pessoas estéreis, geram filho scom deficiência ou não têm condições de cuidar deles. A crença nesses mitos revela um modo preconceituoso de compreender a sexualidade de pessoas com deficiência como sendo desviante a partir de padrões definidores de normalidade e isso se torna um obstáculo para a vida afetiva e sexual plena daqueles que são estigmatizados pela deficiência. Esclarecer esses mitos é um modo de superar a discriminação social e sexual que prejudica os ideais de uma sociedade inclusiva.

INTRODUÇÃO
A sexualidade ampla, independentemente de se ter ou não uma deficiência, existe e se manifesta em todo ser humano. O erotismo, o desejo, a construção de gênero, os sentimentos de amor, as relações afetivas e sexuais, são expressões potencialmente existentes em toda pessoa, também naqueles que têm deficiências (DANIELS, 1981; ANDERSON, 2000; MAIA, 2001; BLACKBURN, 2002;KAUFMAN, SILVERBERG, ODETTE, 2003; COUWENHOVEN, 2007; SCHWIER;HINGSBURGER, 2007).

As expressões da sexualidade são múltiplas e variadas tanto para deficientes como para não-deficientes. Em qualquer caso não é possível determinar se a vida sexual e afetiva será satisfatória ou não e é importante lembrar que em diferentes momentos da vida, dificuldades e facilidades vão ocorrer em maior ou menor grau para todos. Entre as pessoas com deficiências o mesmo acontece e seria injusto generalizar, rotular e estigmatizar quem é a pessoa com deficiência -seus potenciais e seus limites - em função de rótulos, sem considerar o contexto social, econômico, educacional em que o sujeito se desenvolve e sem considerar adversidade entre as pessoas com deficiências. As pesquisas, portanto, sobre sexualidade e deficiências têm divulgado que não é possível afirmar a priori as dificuldades que elas terão ou não no campo sexual (DANIELS, 1981; WOLF;ZARFAS, 1982; SALIMENE, 1995; PINEL, 1999; BAER, 2003; KAUFMAN,SILVERBERG, ODETTE, 2003; GIAMI, 2004; MAIA, 2006; COUWENHOVEN, 2007;SCHWIER; HINGSBURGER, 2007). Apesar dessas constatações, o que prevalece nos discursos de leigos, familiares e da comunidade é a generalização de idéias preconceituosas a respeito da sexualidade de pessoas com deficiência como se essa fosse sempre atípica ou infeliz. Essas idéias são baseadas em estereótipos sobre o deficiente mantidos por crenças errôneas que o colocam como alguém incapaz e limitado.As políticas públicas mundiais têm lutado pelos direitos de acesso à educação, à saúde, e à vida social daqueles com deficiência, mas pouco se tem feito ou divulgado no sentido de incentivar a inserção afetiva e sexual dessas pessoas.Evidentemente que há, atualmente, um avanço considerado de pesquisas, nacionaise internacionais, sobre a sexualidade e diferentes deficiências, cognitivas, sensoriaise ou físicas, relacionadas à própria construção das subjetividades individuais dessas pessoas em diferentes momentos da vida. No entanto, nesse texto, procura-se tratar da temática de modo abrangente tendo como pano de fundo a construção socialda sexualidade e da deficiência, priorizando não a especificidade da deficiência, mas o fato de ela, em qualquer manifestação, se tornar algo deveras estigmatizante.

SEXUALIDADE, DEFICIÊNCIAS E OS PADRÕES DE NORMALIDADE SOCIAL
O conceito de sexualidade foi usado no século XIX para se referir a saberes sexuais decorrentes dos estudos sobre os significados das práticas sexuais que foram construídas culturalmente (CHAUI, 1985; FOUCAULT, 1988; MOTTIER, 2008). É um conceito amplo que envolve a manifestação do desejo e sua representação no estabelecimento de relações que envolvem o afeto, a comunicação,a gratificação libidinosa e vínculo afetivo entre as pessoas e cuja expressão dependede influências culturais, da sociedade e da família, por meio de ideologias e crenças morais, envolvendo ainda questões religiosas, políticas etc. (DANIELS, 1981;CHAUÍ, 1985; RIBEIRO, 1990; ANDERSON, 2000; BLACKBURN, 2002;COUWENHOVEN, 2007).

A sexualidade humana refere-se aos sentimentos, atitudes e percepções relacionadas à vida sexual e afetiva das pessoas; implica a expressão de valores,emoções, afeto, gênero e também práticas sexuais e é essencialmente histórica e social.Como um conjunto de concepções culturais, a sexualidade extrapola o conceito de genitalidade, pois abrange também as práticas sociais, os costumes diversos e as ideologias relacionadas a essas práticas (CHAUÍ, 1985; RIBEIRO, 1990; ANDERSON,2000; BLACKBURN, 2002; SCHWIER; HINGSBURGER, 2007).

Só é possível compreender o desenvolvimento das pessoas e a construção da sua sexualidade individual tomando-se por base a construção da sexualidade ampla, culturalmente determinada e que culmina no modo como percebe-se, julga-se e orienta-se o desenvolvimento das práticas sexuais das pessoas(FOUCAULT, 1988). Isso significa ainda considerar as concepções repressivas que durante anos determinaram as práticas sexuais diversas e o modo como se configuram o masculino, feminino, o desejo, a resposta sexual, as funções do sexo,o enamoramento, etc.

A partir de regras nem sempre explícitas e claras, estabelecidas pela sociedade em diferentes culturas, as pessoas aprendem o que seria o desejável em relação à maneira que devem se comportar socialmente. Isso também ocorre em relação à sexualidade humana o que, além de colocar certas atitudes, sentimentos e ações no campo da normalidade em contraste com outros comportamentos considerados não-normais, ainda vinculam essa normalidade à promessa de felicidade idealizada (COSTA, 1998; MAIA, 2009a).

Os padrões para a sexualidade normal e feliz que não podem ser pensados separadamente do contexto social, econômico e cultural e se revelam em diferentes meios: na televisão, nas propagandas, nas telenovelas, nas narrativas,na literatura, nos jornais, nos discursos, na música, dentre outros. Nesse sentido,conceitos subjacentes à sexualidade, como beleza, estética, desempenho físico,função sexual, gênero, saúde, são também construídos socialmente e podem diferirem função da cultura e das condições em que esses fenômenos se revelam (COSTA,1998; STOLLER, 1998; MAIA, 2009a). Essas concepções aparecem como regras que,segundo Chauí (1985) e Foucault (1988) direcionam o que não devemos e o que devemos fazer em relação aos comportamentos e sentimentos sexuais e, por isso,se tornam repressivas e normativas.

Do mesmo modo como a sexualidade, a deficiência é um fenômenosocialmente construído na medida em que o julgamento sobre a diferença (162MAIA, A.C.B.; RIBEIRO, P.R.M.Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.2, p.159-176, Mai.-Ago., 2010.) impregnada ao corpo do deficiente dependerá do momento histórico e cultural e,em geral, a avaliação social que se tem da deficiência é a de que ela explicita um corpo não funcional e imperfeito e daí impõe ao sujeito uma desvantagem social (AMARAL, 1995, TOMASINI, 1998; EDWARDS, 1997; OMOTE, 1999; AMOR PAN,2003; MAIA, 2006; SIEBERS, 2008). Apesar dos avanços, a partir do paradigma da inclusão social, as concepções de deficiência e diferença são também socioculturaise ainda se configuram como marcas de descrédito social.

A desvantagem social atribuída aos estigmatizados pela deficiência configura-se num grande obstáculo à vida em sociedade (AMARAL, 1995). Silva(2006) comenta que ao se estigmatizar a pessoa pela sua deficiência, corre-se o risco de estabelecer um relacionamento com o rótulo e não com o indivíduo e isso levaria a uma idealização do que seria a vida particular de pessoas com deficiência:a vida dos cegos, dos surdos, dos cadeirantes, etc., é explicada em função dadeficiência, o que seria um modo simplista de compreender a questão. O próprio sujeito estigmatizado incorpora determinadas representações e se identifica com essas tipificações.

Além disso, ser deficiente quer dizer que se é categorizado como tal em função de conceitos de normalidade social que são históricos. Os padrões que representam a normalidade social não são apenas relacionados à capacidade produtiva e funcional (BIANCHETTI, 1998; TOMASINI, 1998; OMOTE, 2004), mas também aos relacionamentos afetivos e sexuais.

*Doutora em Educação. Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências. Unesp, Bauru.bortolozzimaia@uol.com.br; aclaudia@fc.unesp.br
** Livre-Docente em Sexologia e Educação Sexual. Departamento de Psicologia da Educação. Faculdade de Ciências e Letras. Unesp, campus de Araraquara. Rodovia Araraquara - Jaú Km. 01. Araraquara (SP).paulorennes@fclar.unesp

Fonte: Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.2, p.159-176, Mai.-Ago., 2010

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

DVD que aborda as especificidades da T21

Projecto "Parents of Down" foi considerado pela Comissão Europeia uma "ferramenta de grande qualidade". Obteve oito em dez valores possíveis. O DVD dirigido a familiares de crianças e pessoas com síndrome de Down é um guia precioso para quem quer educar - na verdadeira acepção da palavra.
in educare.pt

É uma ferramenta importante para ajudar quem padece de síndrome de Down. Um DVD, um CD e um livro didáctico dão corpo ao projecto "Parents of Down", patrocinado pelo Programa Leonardo Da Vinci e desenvolvido pela Fundação Down de Saragoça, o grupo internacional Master.D. e o Instituto Aragonês de Serviços Sociais. O material pode ser adquirido através da Fundação Down de Saragoça. O contacto é info@downzaragoza.org.

A Comissão Europeia reconheceu o mérito deste trabalho e deu oito em dez valores possíveis ao material elaborado propositadamente para os familiares de pessoas com o síndrome de Down. A nota positiva chegou acompanhada de um comentário. O projecto foi classificado como "uma ferramenta formativa de grande qualidade".

O objectivo é ajudar quem lida de perto com pessoas com síndrome de Down, tendo em consideração os aspectos intrapessoais, biológicos e educativos de cada uma e não esquecendo que nos primeiros anos de vida há mais receptividade a quaisquer estímulos. O DVD tem indicações para ajudar a estimular e a educar durante o processo de desenvolvimento e aprendizagem, ou seja, nos primeiros anos de vida.

O CD contém uma extensa informação sobre o assunto, recolhida de várias páginas da Internet, e com os contactos nacionais e internacionais mais importantes desta área. E no livro é feito um resumo dos recursos específicos adaptados a cada país. Com um aviso para os pais: é muito importante que a família conheça o seu filho, as suas limitações e os seus pontos fortes.

A iniciativa, patrocinada pelo programa da Comissão Europeia no âmbito de um dos seus projectos multilaterais de desenvolvimento da inovação, inclui várias entrevistas com pais e profissionais, voluntários e crianças. Tudo gravado em cinco idiomas - inglês, espanhol, romeno, italiano e grego - com subtítulos para cada tema abordado e guiões desenvolvidos de uma maneira profissional.

Material inovador, com uma forte componente educativa e acessível, é recomendado como um complemento das actividades realizadas por pais e profissionais dos centros especializados nessa síndrome. "Não como um substituto deste trabalho, mas sim como um instrumento útil para as famílias e educadores", explica, em comunicado, Manuel Fandos, responsável pelas relações externas da empresa Master.D. E acrescenta: "O objectivo final não é outro que o de melhorar a qualidade de vida deste colectivo e conseguir as maiores cotas de autonomia possíveis."

Master.D é um grupo internacional que conta com uma equipa de 1050 trabalhadores e docentes colaboradores e que, neste momento, dá formação a mais de 55 mil alunos, através da aprendizagem à distância e semipresencial. A empresa tem 54 centros em Portugal, Brasil, Espanha, China e Grécia. No nosso país, está acreditada pela Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pedido de desculpas a jovens com T21 expulsos de Pub

e agora o pedido de desculpas, foi engano, nunca fizeram uma coisa desta. É curioso como a discriminação acontece sempre sem intenção. (em inglês)

Apology to Down's Syndrome group who were asked to leave an Alicante pub


The apology for their colleague's behaviour comes on behalf of business owners in the Casco Antiguo

The President of the business owners association in the Casco Antiguo of Alicante has issued an apology on the association’s behalf over the recent incident when a group of people with Down’s Syndrome were asked to leave a city centre pub.

As Nacho Cardona told a reporter from Diario Información, ‘I don’t understand it. I’ve no idea what could have been going through that person’s head to do what he did, apart from the problems he’s now got himself into’. ‘All I can do,’ he said, ‘is apologise to the group on behalf of the association and assure them that this is not the usual way of behaving’.

The Alicante Down’s Syndrome Association placed an official complaint after the group of 13 were asked to leave and the prosecution service then asked the police to open an investigation.

It’s understood that Cardona owns several bars in the Casco Antiguo. He has invited the group to any of his bars whenever they want where, he says, ‘they will be very well received’